|
20/03/2006 - Judiciário
Execuções: Mudança elevou desempenho do Bacen Jud em 53%
Usado para o bloqueio on-line de contas bancárias pela Justiça,
o sistema Bacen Jud começou a operar uma nova versão em 15 de
dezembro de 2005. Além de corrigir falhas, a nova versão aumentou
a demanda da Justiça pela execução on-line. Nos três
primeiros meses de operação, foram 224 mil solicitações
ao sistema, uma demanda média 53% maior que a registrada durante todo
o ano passado. O ano de 2006 pode fechar com quase 1 milhão de ordens
judiciais on-line. Foram 681 mil em 2005.
Apelidado de penhora on-line, o Bacen Jud ganhou este ano novos recursos que
o aproximam mais de um "internet banking judicial". Na nova versão,
os juízes podem usar o site do Banco Central para determinar bloqueios,
desbloqueios, transferências e consultas a saldos de depósitos
em instituições financeiras.
A nova versão corrige falhas do Bacen Jud 1.0, que permitia apenas a
emissão de ordens de bloqueio. Essa limitação implicava
no bloqueio de valores muito superiores ao exigido, caso a execução
recaísse contra uma empresa com mais de uma conta corrente. O desbloqueio
do excesso, feito por oficio, leva em média um mês. Com a versão
2.0, é possível desbloquear contas penhoradas indevidamente em
menos de 24 horas, ou consultar previamente contas existentes antes de emitir
uma ordem.
Criado em 2001, o Bacen Jud surgiu inicialmente para o Banco Central reduzir
o processamento manual de ofícios enviados pela Justiça, que chegaram
a 80 mil naquele ano. Indiretamente, o Bacen Jud acabou gerando uma revolução
no sistema de execução judicial. A nova técnica foi adotada
maciçamente pela Justiça do Trabalho desde 2002, e com a nova
versão, o BC espera atrair a Justiça Federal e os juízes
estaduais. A ordem emitida por papel é considerada pouco prática
e pouco eficiente, pois levava várias semanas para ser cumprida, durante
os quais o devedor poderia sacar o saldo depositado. A ordem de bloqueio, contudo,
só pode ser usada em último caso, quando a empresa não
oferece nenhum bem em pagamento ou oferece bem considerado sem valor.
Segundo o chefe do departamento de gestão de informação
do BC, Cornélio Farias Pimentel, ainda não há estatísticas
sobre o avanço do sistema no resto do Judiciário com a versão
2.0, mas os juízes trabalhistas continuam sendo os usuários preferenciais.
Os dados mais recentes, de junho de 2005, a Justiça do Trabalho era responsável
por 88% das solicitações ao Bacen Jud. De acordo com Pimentel,
o departamento está levantando a origem dos pedidos que ainda são
feitos em papel - foram 134 mil em 2005 - para atrair os juízes para
o sistema on-line. Um dos problemas pode ser a ausência de equipamento
de informática adequado, algo comum na Justiça estadual. Para
esse problema, o BC estuda até a doação de equipamentos
usados do banco, aptos para o acesso à internet, hoje vendidos em leilão.
O principal responsável pelo uso dos ofícios de papel é
o Judiciário paulista, que enviou 50.597 ofícios BC em 2004, e
somente 7.439 pelo sistema on-line. Segundo o chefe da procuradoria fiscal de
São Paulo, Clayton Eduardo Prado, os juízes do anexo fiscal aceitam
os pedidos de penhora de conta corrente, mas fazem o pedido apenas por papel.
No Rio, a Procuradoria-Geral responsável pela cobrança da dívida
ativa já tem a lista dos principais devedores do Estado - operadoras
de telefonia, supermercados e empresas de petróleo - para solicitar a
cobrança on-line das pendências. A procuradoria só aguarda
a adoção do Bacen Jud 2.0 pela vara fiscal da capital para ajuizar
os pedidos. Algumas varas cíveis do Rio já começaram a
usar o sistema para executar ações de cobrança comuns.
No Rio Grande do Sul, desde meados de 2005 vários Juizados Especiais
Cíveis já fazem execuções on-line.
Fonte: Valor Econômico/Fernando Teixeira
|
 |
| Intranet |
 |
|
 |
|
| |
| |
| |
|