Banco Central acelera bloqueio de contas

Jornal de Brasília

1/8/2005

 

Com o novo Bacenjud, valores poderão ser retidos pelos bancos até 48 horas. Sistema será lançado este mês

Os operadores do "mensalão" e parlamentares beneficiados pelo esquema podem começar a se preocupar com o dinheiro que mantêm nos bancos. Quem for apanhado em alguma irregularidade pode ter, a partir de agosto, os valores bloqueados até 48 horas. Esta é a previsão para o lançamento do Bacenjud 2.0, sistema que fará eletronicamente todo o processo de comunicação entre a Justiça e os bancos. Em média, são recebidos pelo banco cerca de 1,8 mil pedidos de retenção de valores por dia.

Atualmente, o bloqueio em contas correntes pode demorar até mais de uma semana, possibilitando o saque antes de cumprida a decisão judicial. Mas com o Bacenjud 2.0, isso vai mudar.

O novo sistema está pronto e já passou pela fase de teste. O BC aguarda, apenas, a assinatura de convênios com os tribunais superiores para colocá-lo em funcionamento. Segundo João Goulart Junior, chefe adjunto do Departamento de Planejamento da Fiscalização, o sistema, lançado em 2000, já havia agilizado o processo. A meta, agora, é torná-lo ainda mais rápido.

O Bacenjud 2.0 funcionará de forma bastante simplificada. Por meio eletrônico, o juiz encaminha o ofício ao Banco Central. O sistema identifica o banco onde o devedor tem conta e encaminha o ofício à agência. O banco, que hoje faz o bloqueio por meio manual passará a fazê-lo automaticamente pelo mesmo sistema. Da mesma forma, encaminhará ao juiz pelo Bacenjud o comunicado de que a ordem foi cumprida. Atualmente, esse comunicado é feito por carta, podendo demorar sete dias ou mais.

"O Banco Central não bloqueia contas. Ele apenas encaminha os ofícios e comunicados por meio do Bacenjud. O bloqueio é determinado pela Justiça e feito pelos bancos", afirma João Goulart.

O BC recebe, em média, 3 mil pedidos por dia de bloqueio, de desbloqueio, de informação, comunicação de falência e de desfalência. Deste total, cerca de 60% são solicitações de bloqueio de valores, sendo a maioria (81%) referente a causas trabalhistas. Ele esclarece que o pedido de bloqueio só é feito pela Justiça depois que a ação já transitou em julgado, ou seja, não existem mais possibilidades de recursos.

Na semana passada, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em telefonema ao presidente da CPI dos Correios, Delcídio Amaral (PT-MS), sugeriu a formação de uma força-tarefa para discutir uma possível reavaliação das normas de movimentação bancária. A idéia é que técnicos do BC possam auxiliar os parlamentares da CPI na elaboração de propostas de alteração das regras em vigor.

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